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Considere a possibilidade de disputar um cargo em uma empresa com outro colega que tem exatamente a mesma formação e qualificação que a sua. Qual o diferencial que irá fazer com que seja você a pessoa escolhida para o cargo e não o seu concorrente? A psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, especializada em consultoria para empreendedores em mudança de carreira e início de um novo negócio, chama a atenção para esta palavra-chave: diferencial.
"Se uma empresa precisa contratar ou mesmo demitir pessoas e está diante de candidatos com o mesmo nível de formação – os dois sabem inglês, têm MBA e conhecimento profundo em informática, entre outras qualidades -, quem ela irá escolher?" Como exemplo de diferencial em alta no mercado de trabalho, Vera Rita destaca as qualidades pessoais de percepção, atenção e memória, a capacidade de organização, de tolerância à frustração e de fazer networking, ou seja, criar redes de contato no mercado e relacionar-se bem. Como se preparar para chegar lá é a grande questão.
Um estudo do Ministério da Educação divulgado em maio último, o qual comparou o desempenho de bons e maus alunos com hábitos de estudo e de leitura, dá uma pequena ideia. Segundo a pesquisa, os alunos que iam mal na faculdade estudavam, em média, 17 minutos a menos por dia do que os bons alunos. Estes últimos buscavam informar-se por meio de jornais e revistas, enquanto os alunos com mau desempenho escolar informavam-se basicamente por meio da televisão.
Os maus alunos ainda não sabiam nada de inglês, ao contrário dos bons alunos, que dominavam esse idioma no mínimo parcialmente. Por fim, os bons alunos liam mais livros que os maus ao longo do ano.
Enquanto estes liam um livro a cada ano e meio, os bons alunos liam, em média, seis livros durante o ano, afora as leituras escolares obrigatórias.
Para um estudante na rota do vestibular e da escolha da carreira, seguir o exemplo dos bons alunos é vital.
Usar o cérebro e a memória para guardar conceitos, trocar ideias e pensar, e não para fazer arquivo, é outra medida providencial. "Os alunos do colegial chegam a ter 18 matérias em um ano. Para lidar com tal carga de informação e de fato aprender, eles precisam ter um plano de ação nos estudos", afirma Maria Tereza Gomes Basile, coordenadora pedagógica da Escola Vésper, especializada em preparar estudantes para concorrer nos "vestibulinhos" de ingresso nos melhores colégios de São Paulo. Sua receita: um plano de estudo de, no mínimo, três horas por dia, organizado de acordo com as prioridades do curso e da escolha de carreira e com o grau de dificuldade das matérias.
A psicopedagoga Wania Forghieri, que orienta estudantes com dificuldades de aprendizado, emprega em seu trabalho a mesma estratégia. "Ensino os alunos a reservar tempo para tudo durante a semana", afirma ela. "Quantas horas devem dedicar à revisão das matérias assistidas em classe, quanto tempo devem dispor para descansar e para dedicar-se a outras atividades."
As duas educadoras consideram de suma importância manter-se ligado ao mundo dos acontecimentos – da economia, da política, da educação e da cultura – para ir bem na escola e na carreira. Para isso, lembram, é indispensável ler jornais ou revistas – senão todo dia, ao menos no final de semana -, além de ir ao cinema ou teatro e cultivar o hábito da leitura.
E não é só. Ao dedicar-se a cada uma dessas atividades, o estudante deve se perguntar se aquilo que está assistindo ou lendo tem a ver com seu mundo: suas aspirações e planos de estudo e carreira. "É preciso que ele pense sobre as informações que está recebendo, estabeleça relações e, sobretudo, pergunte o que elas acrescentam de novo à sua vida", afirma Maria Tereza. "Um aluno que lê e sabe interpretar um texto, ou que assiste a um filme e consegue tirar conclusões daí, que tem familiaridade com esse exercício mental, pode até não saber tudo das matérias, mas sem dúvida conseguirá ter um desempenho melhor do que os que não cultivam esses hábitos."
Usar o cérebro e a memória para guardar conceitos, trocar ideias, fazer associações, enfim, pensar, e não para fazer arquivo, é o caminho mais seguro para atingir o crescimento intelectual e profissional, na opinião das especialistas.
Evitar a tensão e o cansaço, que levam a fragmentação da atenção e são os principais inimigos da boa memória, seriam outras providências importantes para manter distante a possibilidade do estresse do excesso de informação a que um estudante em época de vestibular está sujeito.
"Os jovens fazem parte do grupo mais exposto ao estresse da memória por excesso de informações mal conectadas", lembra a psicóloga Olenka Franco, diretora da Sinal Pesquisa, baseada nos estudos que faz com estudantes. "Eles recebem uma verdadeira avalanche de dados via televisão, internet, entre outros meios, a maioria desconectados, e, se não estiverem preparados para lidar com isso, podem comprometer seriamente sua capacidade de refletir sobre o mundo."
O estresse de informação é um dos grandes inimigos da memória e do conhecimento, concordam as educadoras. Daí a importância do método de estudo. Mas não basta organizar o tempo de trabalho com os deveres e a escola, fazem questão de repetir. É fundamental prever também a hora para o lazer e para a prática de algum esporte na rotina diária. "Desligar-se mentalmente do estudo e dar-se o direito de relaxar, ouvir música, sair com os amigos, além de praticar algum esporte, são essenciais para renovar as energias gastas nos estudos", lembra Wania. Ou, como diriam os estudiosos da memória, esquecer é tão importante quanto lembrar, em se tratando de obrigações e deveres.
Plano de Ação
Para planejar seus estudos, tente responder às seguintes questões:
Aonde quero chegar?
Que atitude devo tomar para alcançar essa meta?
Como organizo meu tempo e meu espaço para dar conta dela?
Faça um planejamento detalhado do seu tempo, em uma planilha, prevendo, além das horas e de aula e de estudo em casa, o tempo de almoço e jantar, da prática esportiva de sua preferência e para encontrar os amigos.
Divida o tempo de estudo de maneira proporcional às suas dificuldades com as matérias a serem revistas e as prioridades do calendário escolar: provas, trabalhos, lições de casa.
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