VÉSPER NA MÍDIA

Folha Equilíbrio
DRIBLE A NEURO: APRENDER A ESTUDAR PODE "SALVAR" ANO LETIVO

04 de outubro de 2001

Agora ou nunca: é isso que muitos pais estão pensando ao perceber que o tempo para seus filhos recuperarem as notas na escola está se esgotando.

KARINA KLINGER - DA REPORTAGEM LOCAL

Mas a correria em busca de aulas particulares e de reforço escolar pode ser evitada. Ao surgir a primeira nota baixa, os pais devem conversar com os filhos para identificar que tipo de dificuldade eles estão sentindo.

Muitas vezes, o problema não é causado por uma deficiência de aprendizado: a criança ou o adolescente apenas não sabem como estudar. E, quanto antes aprenderem, melhor. É por isso que se torna cada vez mais frequente encontrar estudantes que recorrem ao orientador de estudos.

Em vez de ensinar o conteúdo de uma disciplina específica, como física ou biologia, esse profissional dá dicas sobre como estudar. Algumas escolas chamam esse serviço de grupos de orientação de estudo, que podem ou não fazer parte da grade de aulas. Há também profissionais especializados, que dão essa orientação de maneira individualizada, semelhante às aulas particulares.

"Em pouco tempo, o aluno aprende a se virar sozinho. Quem procura esse tipo de serviço geralmente tem dificuldade de se organizar ou de se concentrar. A orientação de estudo é considerada um grande avanço na área da educação e vem ganhando espaço por causa do ritmo atual da sociedade. "Como os adultos, as crianças querem fazer três coisas ao mesmo tempo", afirma Suely Nogueira, orientadora de estudos do colégio Augusto Laranja. Administrar o tempo ficou mais difícil, explica a psicopedagoga e psicanalista Ciça Arruda.

"O dia da criança está mais curto devido às atividades extracurriculares e aos diversos atrativos que antes não existiam, como a televisão, o computador e o videogame." A falta de tempo também impede que os pais acompanhem a criança de perto.

Organização - Como muitos adolescentes, Maria Isabel Bianchetti, 18, não sabia por onde começar quando precisava estudar.

Frequentando a escola de reforço Vésper, entendeu que a tarefa realmente não é simples: "Aprendi que só a leitura não é suficiente e que preciso me organizar".



As aulas de orientação de estudos modificaram a rotina de Sylvia Fonseca, 14, também aluna do Vésper Estudo Orientado, que agora não passa mais as tardes falando no telefone, vendo TV ou lidando com o computador. "Retomo a matéria diariamente para não acumular dúvidas", diz. Além de estar mais disciplinada, ela passou a fazer os exercícios e aprendeu a interpretar melhor os textos, grifando os trechos mais importantes.

A psicóloga Áurea Afonso Caetano está satisfeita com as aulas de orientação dadas pelo colégio para seus filhos Tomas, 11, e Luiz Felipe, 13. "Acho positivo, pois as crianças estão sendo mais solicitadas, e os pedidos de pesquisa são mais complexos", afirma. Luiz Felipe também aprova: "Aprendi a estudar; já sei fazer resumo das matérias, por exemplo."

Antes de procurar um orientador de estudos, porém, os pais devem conversar com os filhos. Melanie Grunkraut, psicopedagoga que trabalha com crianças e adolescentes com problemas de aprendizagem há 20 anos, alerta que nem sempre o problema está no aluno.

"A escola pode seguir uma metodologia que não é adequada para aquele estudante", afirma Grunkraut. Por isso é importante também consultar os professores e orientadores do colégio.

Para a pedagoga Maria Isabel Basile, da escola Vésper, um bom começo é incentivar a autonomia da criança desde a pré-escola. Mesmo as lições mais simples devem ser encaradas como estudo.

Além de notas baixas, material escolar desorganizado, desinteresse e dificuldade de relacionar a matéria com o cotidiano são alguns dos sintomas de que a criança ou o adolescente precisam aprender a se planejar e a estudar de maneira mais eficaz.

Leia, na página ao lado, alguns conselhos que podem ajudar pais e filhos na hora de estudar.

Como os pais podem ajudar

01. Antes de cobrar o cumprimento das tarefas, converse com a criança para saber se ela está sentindo alguma dificuldade.

02. A criança precisa de certa autonomia para desenvolver responsabilidade. Não faça tudo por ela. Isso vale até para as primeiras lições da pré-escola, que devem ser vistas como uma forma de estudo.

03. Criança precisa de organização. Cabe aos pais estipular os horários para estudar e brincar. Isso é fundamental para que a criança estabeleça uma rotina de estudo.

04. Na hora de estudar, a TV fica desligada, e o irmão menor brinca em outro lugar. Ambientes agitados interferem na concentração.

05. Não imponha uma maneira de estudar, porque isso varia muito de pessoa para pessoa. Com a idade, a criança descobre quais métodos são mais eficazes para ela.

06. Sempre que possível, retome com a criança a matéria que foi dada em sala de aula. Com o tempo, isso se tornará um hábito, e a criança fará a revisão sozinha.

O que os estudantes precisam saber

01. Prestar atenção durante a aula é primordial para entender o assunto. Na maioria das vezes, só ler depois não é suficiente.

02. As anotações também são importantíssimas. Acostume-se a anotar as explicações e os exemplos dados pelo professor.

03. Não adianta estudar apenas na véspera da prova. É necessário estar em dia com a matéria. Encare o estudo após as aulas como uma das tarefas do seu dia-a-dia.

04. Só leitura e "decoreba" não bastam para aprender. É preciso fazer exercícios e entender aquilo que está sendo proposto, principalmente nas matérias da área de exatas.

05. Para lidar com as novas informações e compreendê-las, tente sempre associá-las a sua realidade. Para entender melhor o que acontece ao seu redor, leia jornais e revistas.

06. Fazer descobertas é uma ótima forma de estudo. Se você tem acesso à internet, aproveite para pesquisar, mas não fique só no "copiar e colar". Procure refletir sobre as informações que encontrar e interpretá-las.