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Atualmente, muitos jovens com 17 anos de idade já estão prestando vestibular e decidindo o caminho que irão trilhar dali para frente. Nesses momentos a falta de maturidade pode pesar e a escolha pode se transformar em um dilema tanto para ele quanto para a família.
Para tratar dessas questões convidamos a orientadora profissional, formada em Psicologia pela Universidade de São Paulo - USP, Aparecida Martins, e a psicopedagoga e coordenadora do Vésper Estudo Orientado, Maria Tereza G. Basile, para tirar algumas dúvidas sobre o assunto.
Dimensão - Quando é indicado que um jovem procure um atendimento vocacional?
Aparecida - Muitos jovens passam por uma escolha profissional, que às vezes se torna difícil e angustiante para ele e sua família. Quando o nível de angústia fica muito alto, impossibilitando o jovem de usar seus recursos para efetivar sua escolha, creio que seja o momento em que um profissional pode auxiliar.
Dimensão - Como é feito este trabalho? Quais os pontos que vocês focam para identificar as vocações?
Aparecida - A proposta de orientação profissional é proporcionar ao jovem um resgate das experiências passadas, pensar seu presente e planejar o futuro, ou seja, fazer um projeto de vida:
"O conceito de projeto se refere a um homem que não está completamente determinado pelas circunstâncias, por seu passado e seu presente. Pressupõe que o homem possa perceber, analisar e compreender a sua situação passada e presente e, a partir dessa leitura, criar um projeto com intenção futura. O projeto é uma ação, deve ter no seu cerne o questionamento dos meios que serão utilizados, e mesmo prever que ocorram resistências, dificuldades na sua realização."
(Uvaldo, M.C.C., 2003).
O processo de orientação profissional é dividido didaticamente em três grandes temas: autoconhecimento, informação profissional e projeto de vida. Para desenvolver tais temas pedem-se atividades escritas, pesquisas, testes, etc. Todas as atividades são depois discutidas nas sessões.
Dimensão - Como os pais devem agir diante da indecisão dos filhos?
Aparecida - A escolha profissional do jovem está estreitamente relacionada com a família: um projeto de vida tem sempre a inclusão de outras pessoas, e na vida de um jovem as pessoas mais próximas costumam ser os pais. Creio que a melhor atitude dos pais seja deixar clara sua opinião sobre este momento que o filho está passando, isso ajuda o jovem a se posicionar concordando, discordando ou concordando em parte.
Maria Tereza - O mais importante a meu ver é que os pais compreendam que esse é um momento delicado e difícil para seus filhos.
Talvez essa seja uma das primeiras e mais significativas decisões que seu filho tenha que tomar de uma maneira individual e autônoma. No momento de escolha profissional, o jovem se defronta com suas próprias aspirações, desejos, escolhas, limitações, e isso implica responsabilidade e autonomia.
É muito importante que os pais respeitem, acatem e aprovem os filhos nesse delicado momento. Os pais devem se mostrar disponíveis e solidários, sem porém atuar de forma invasora e repressora. Disponíveis para dar suas opiniões, seus testemunhos, porém o processo de decisão é de seu filho, não seu.
Esse é um momento carregado de incertezas, conflitos e ansiedade para o jovem, que, além de precisar fazer uma escolha profissional num universo de opções muito amplo, ainda sofre com o cruel processo do vestibular.
Esteja por perto, mostre-se disponível e atuante, quando solicitado; mas saiba também respeitar e não invadir o espaço de seu filho. Não seja mais um cobrador, pois ele já está sofrendo sua própria cobrança, além de todas as pressões que permeiam essa fase.
Dimensão - Existe idade ideal para realizar os testes?
Aparecida - A partir dos 14 anos, é a idade ideal para esses tipos de testes.
Dimensão - É comum o filho querer seguir a carreira do pai? Como identificar se esta é realmente a melhor escolha?
Aparecida - A família é um parâmetro importante para o jovem; ele pode escolher a mesma profissão dos pais ou não querê-la. O importante é o sentido que essa escolha faz na vida desse jovem.
Maria Tereza - É perfeitamente possível que o filho queira seguir a carreira do pai, desde que essa seja uma escolha pautada dentro do seu universo de aspirações e escolhas. Se ele escolheu a mesma carreira do pai por pressões familiares ou mesmo por comodismo ou para se poupar de seus próprios conflitos, essa certamente não será a melhor opção.
Mas se depois de todo o processo de elaboração da escolha - processo esse que muitas vezes é longo, conflituoso e exige várias tomadas de decisões - a opção do filho for igual ou semelhante à do pai (ou mãe), essa será uma opção perfeitamente válida e consistente.
Dimensão - É muito caro fazer um teste desses?
Aparecida - O atendimento é constituído da seguinte forma:
A primeira entrevista é gratuita para a apresentação do trabalho. É importante a presença dos pais e do jovem. O atendimento será individual e acontecerá em oito sessões de 50 minutos, uma ou duas vezes por semana.
Haverá uma última sessão, facultativa, que será a devolutiva aos pais. Nessa sessão a profissional contará como se deu o processo.
As sessões individuais e a devolutiva têm o valor de R$ 125,00 cada uma.
Dimensão - Qual a última orientação que a sra. daria a um jovem nessa situação?
Maria Tereza - A escolha profissional é um momento no qual o autoconhecimento é primordial. O jovem deve pesquisar e reconhecer internamente tanto suas aptidões como suas limitações. Por exemplo, querer ser médico e não poder ver sangue ou cadáveres são situações de difícil compatibilidade.
Portanto, além desse processo de auto-análise, o jovem deve avaliar dados objetivos das carreiras pelas quais se interessa e verificar como ele interage com elas:
Tenho vocação para essa carreira?
Ela me dará o retorno financeiro a que aspiro?
Ela poderá me trazer realizações ideológicas?
O que me atrai nessa carreira?
O que me desagrada nela?
Quanto aos pais, é importante que eles saibam acolher, respeitar e aprovar o filho durante todo o processo de escolha da carreira.
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